MagLev-Cobra: Quando é que vamos nos antecipar aos problemas?

A boa gestão depende de honestidade, conhecimento, vontade política e bom senso, mas quero aqui focar apenas o bom senso e deixo os demais componentes para juízo de valor de cada um.

Geralmente as soluções só aparecem depois que os problemas surgem e não nos dedicamos de forma adequada à prevenção, o que seria mais racional.

No tocante à mobilidade urbana, percebemos vários indicativos de que o sistema de transporte caminha à passos largos para o colapso total, quer seja por falta de investimentos, entraves políticos, planejamento inadequado, etc.

E eis que surge uma solução engenhosa, criativa, inédita e genuinamente nacional, desenvolvida por engenheiros brasileiros, com tecnologia nacional e de baixo custo, que foi batizada de MAGLEV-COBRA.

Nossos engenheiros produziram um protótipo em pequena escala, ao custo de cerca de R$ 17 milhões e agora precisam aportar um valor da mesma ordem para o desenvolvimento de um protótipo comercial, que seja possível passar à produção industrial.

Um investimento deste porte deveria ser considerado absolutamente normal e acessível pelo impacto positivo que o projeto traria em seu bojo quanto à utilização de energia limpa, de alta performance e silencioso e impulsionador industrial.

Como no caso da COVID-19, há muito se falava na possibilidade de surgimento de um vírus desta natureza e os países que investem em tecnologia e pesquisa saíram à frente e várias soluções se apresentaram e, felizmente, algo deve surgir ainda que estejamos inseridos em um “novo normal” daqui para a frente. Mas o fato é que o Brasil ficou como coadjuvante nessa história e não como protagonista como poderia ter sido.

Agora temos o MAGLEV-COBRA e entre o desperdício do investimento inicial e a complementação do projeto, parece que tudo caminha para o primeiro cenário: o desperdício.

Só nos resta unir forças com o envolvimento das entidades, iniciativa privada e o mundo acadêmico, pois esperar uma solução do Poder Público parece ser cada vez mais inviável.

Luiz Cosenza
Presidente do CREA-RJ

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